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	<title>Arquivo de pec do plasma - Ana Pimentel</title>
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	<description>Deputada Federal por Minas Gerais, médica de família, professora e pesquisadora da saúde coletiva.   Fui Secretária de Saúde de 2021 a 2022 na Prefeitura de Juiz de Fora.</description>
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	<title>Arquivo de pec do plasma - Ana Pimentel</title>
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		<title>Sangue não é mercadoria: PEC do Plasma no Senado ameaça a vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Comunicação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Oct 2023 18:06:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Proposta em tramitação no Senado busca permitir que a iniciativa privada colha e processe plasma humano, um componente do sangue, abrindo espaço para a comercialização dele e de seus derivados Uma gravíssima ameaça à vida está colocada no Senado. Trata-se da  PEC do Plasma (Projeto de Emenda Constitucional 10/2022), que busca permitir que a iniciativa [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Proposta em tramitação no Senado busca permitir que a iniciativa privada colha e processe plasma humano, um componente do sangue, abrindo espaço para a comercialização dele e de seus derivados</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma gravíssima ameaça à vida está colocada no Senado. Trata-se da  PEC do Plasma <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/152715#:~:text=Altera%20o%20art.%20199%20da,o%20processamento%20de%20plasma%20humano.&amp;text=2022%20Descri%C3%A7%C3%A3o%2FEmenta-,Altera%20o%20art.%20199%20da%20Constitui%C3%A7%C3%A3o%20Federal%20para%20dispor%20sobre,o%20processamento%20de%20plasma%20humano.">(Projeto de Emenda Constitucional 10/2022)</a>, que busca permitir que a iniciativa privada colha e processe plasma humano, um componente do sangue, abrindo espaço para a comercialização dele e de seus derivados. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Numa manobra visivelmente neoliberal e de ataque à vida, o texto busca alterar a Constituição de 1988, (não por acaso, nossa “Constituição Cidadã”). Nela foi decidido que caberia apenas ao Estado brasileiro o processamento e distribuição de sangue e hemoderivados no país. Está no Art. 199, parágrafo 4º. da Constituição Federal. Desde então, política do sangue estaria resguardada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que  também é o principal destinatário dos seus serviços e produtos. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A PEC do Plasma acrescentaria um parágrafo à Constituição: </p>



<pre class="wp-block-verse">§ 5º A lei disporá sobre as condições e os requisitos para coleta e processamento de plasma humano pela iniciativa pública e privada para fins de desenvolvimento de novas tecnologias e de produção de biofármacos destinados a prover o sistema único de saúde.</pre>



<p class="wp-block-paragraph">A apreciação da proposta no Senado ocorre nesta quarta (4), e a sugestão de abrir o manejo do plasma à iniciativa privada pode até parecer, pelo texto, um passo na direção do investimento em pesquisa de tecnologias da saúde. <strong>Mas na realidade, é mais um ataque cruel e descarado à vida da população brasileira, que passaria a ter que ver o sangue como mercadoria. E teria que pagar para ter acesso a tratamentos que dependem do processamento de plasma  e derivados. </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Existe uma campanha leviana e mentirosa dizendo, literalmente,&nbsp; que “o Brasil não tem tecnologia para processar o plasma”, e que a maioria do material seria desperdiçado. Mentira. A unidade da Hemobrás em Goiana (PB) é simplesmente a maior do gênero na América Latina, com capacidade para processar 500 mil litros de plasma ao ano, o suficiente para tornar o Brasil, enfim, autossuficiente nestes insumos biológicos.&nbsp;<strong>Temos tecnologia sim, para processar nosso plasma. E a importância de manter seu manejo exclusivamente com o Estado é continuar assegurando que os usuários e usuárias do SUS tenham acesso universal e gratuito ao fornecimento de medicamentos derivados do sangue.&nbsp;</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading">Mercado de Hemoderivados</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Mas por que, então, há tanto interesse em privatizar o processamento de plasma? De acordo com dados farmacêuticos, o mercado de hemoderivados no Brasil movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano. A PEC do Plasma representa, na prática, o capitalismo em sua forma mais vil e predatória, cometendo o absurdo de transformar uma parte do corpo humano em commodity e sujeitando-a à venda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Num Brasil não muito distante, antes da Constituição de 1988, pagava-se para coletar plasma humano. E nesse Brasil, devastado pela fome e pela crise econômica, como foi em meados dos anos 1980, é claro que as pessoas vendiam seu sangue – literalmente – para poderem comer.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse mesmo país, antes do controle exclusivo da Hemobrás sobre os derivados de sangue viveu uma profunda crise sanitária com a epidemia de AIDS. Com a falta de controle e qualidade do sangue, como acontece quando não se tem certeza da origem de um “produto” em qualquer comércio, o contágio do vírus HIV via transfusões foi potencializado. O sociólogo Betinho, importante ativista social e ator importante na Constituinte de 1988, foi uma das vítimas fatais de transfusão contaminada, marca desse sistema de saúde capitalizado e voltado para o lucro, assim como seus irmãos Henfil e Francisco Mário.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Fortalecendo a Hemobrás</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A comercialização e sobretudo a exportação de sangue nos mantém, como país, no mesmo modelo de exportação de bens e recursos naturais a que fomos relegados historicamente por tantos anos.<strong> É o mesmo lugar neocolonial em que parte da elite brasileira quer nos manter. Um lugar onde o direito ao bem-estar e à vida é um privilégio de quem pode pagar por eles</strong>. A exportação de plasma não significaria melhoria de acesso a medicamentos e tecnologias de saúde. Para isso, precisamos de fortalecimento da Hemobrás, das universidades e do SUS. A Hemobrás é uma empresa forte, produtiva e NOSSA. É nessa articulação &#8211; Hemobrás, SUS e Universidade &#8211; que podemos ser o principal país em processamento e distribuição dos melhores recursos de saúde para a população.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph"><strong>protegemos a vida da população brasileira, que terá assegurada a sua integridade pelo Estado, como é agora e deve sempre ser. Não podemos aceitar viver em uma sociedade que põe preço no sangue de seus cidadãos e cidadãs</strong>.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O plasma é um bem que deve ser protegido. A doação de sangue, ao contrário de sua venda como mercadoria, é um pilar fundamental do acesso à saúde e do princípio societário. É de mais SUS que precisamos, de mais fortalecimento da Hemobrás, para que a estatal amplifique o processamento e gerenciamento do material coletado à sua capacidade máxima. <strong>Com isso, protegemos a vida da população brasileira, que terá assegurada a sua integridade pelo Estado, como é agora e deve sempre ser. Não podemos aceitar viver em uma sociedade que põe preço no sangue de seus cidadãos e cidadãs</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Artigo publicado na coluna mensal no portal<a href="https://revistaforum.com.br/debates/2023/10/4/sangue-no-mercadoria-pec-do-plasma-no-senado-ameaa-vida-por-ana-pimentel-145211.html"> Revista Fórum.</a></p>
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